A escuta de crianças e adolescentes
A responsabilidade dos adultos diante de um relato de abuso: escutar, proteger e sustentar o acompanhamento.
Crianças e adolescentes têm direito a ser ouvidos e protegidos. Quando alguém conta que foi vítima de abuso, cabe ao adulto receber sua palavra com respeito e procurar a ajuda necessária para cuidar. Não se pode exigir que tenha sabido reconhecer o abuso, resistir ou contá-lo antes.
A primeira resposta
Escutar supõe dar tempo, não completar as frases nem pedir detalhes para comprovar o relato. Pode-se dizer “acredito no que me conta”, agradecer a confiança e explicar que o ocorrido não é culpa de quem o conta. As perguntas sobre por que não se defendeu ou por que demorou a falar transferem à vítima uma responsabilidade que não lhe cabe.
Acolher um relato e ativar a proteção não substitui a investigação dos fatos pelas autoridades competentes. O adulto que escuta não deve interrogar, confrontar a pessoa apontada nem expor o relato perante a comunidade.
Orientação para receber um relato (em espanhol)
Participação nas decisões
A criança ou adolescente precisa saber o que vai acontecer, quem receberá informações e para quê. Sua opinião e suas preocupações devem ser levadas em conta, com explicações adequadas à sua idade e à sua forma de se comunicar.
O cuidado com a sua privacidade exige compartilhar informações apenas com quem deve intervir. Não cabe prometer um segredo absoluto quando será necessário pedir ajuda para a sua proteção.
Responsabilidade do entorno
Uma escola, uma família ou uma organização deve oferecer pessoas disponíveis para escutar e vias para agir, mesmo quando a pessoa apontada ocupa um lugar de autoridade. A reputação de uma instituição não pode justificar que se silencie quem pede ajuda.
Depois da primeira conversa continua a ser necessário acompanhar. Isso inclui coordenar apoios, explicar as decisões e verificar se as medidas adotadas respondem às necessidades da pessoa. O cuidado não se mede pela rapidez com que uma vítima fala, denuncia ou se recupera.
Confiança lúcida
Um contexto de confiança lúcida permite fazer perguntas, reconhecer limites e discutir o modo como a autoridade é exercida. Crianças e adolescentes participam dele como pessoas com direitos, com uma autonomia que se desenvolve progressivamente e com adultos responsáveis por seu cuidado.
Contextos protetores e prevenção (em espanhol) · Apoio da Fundação
Tradução da Fundación Para la Confianza. Em caso de divergência, prevalece a versão em espanhol. Versão em espanhol.
