Recursos · Evidências
Prevalência e estatísticas
Quantas pessoas sofreram violência sexual antes dos 18 anos, segundo as metanálises mais recentes e a pesquisa nacional chilena, com um mapa por país e gráficos para compartilhar.
Mapa de prevalência por país
Porcentagem de pessoas de 20 anos ou mais que sofreram violência sexual com contato antes dos 18 anos, em 2023, segundo as estimativas de Cagney e outros (2025) para 204 países. Escolha um país no mapa ou na lista.
Escolha um país para ver sua estimativa.
A visualização “Total” mostra a média das estimativas padronizadas por idade para mulheres e homens de cada país, calculada pela Fundação a partir dos dados publicados pelo IHME (Cagney e outros, 2025). O estudo não publica um número conjunto para ambos os sexos; por isso a média é apresentada sem intervalo de incerteza. As estimativas oficiais por sexo, com seus intervalos, aparecem ao selecionar um país.
Fonte: Cagney, J. e outros (2025), The Lancet, tabela 1, taxas padronizadas por idade, publicadas com licença CC BY 4.0. Entre parênteses, o intervalo de incerteza de 95%. Os autores não encontraram fontes de dados utilizáveis para 63 dos 204 países; nesses casos, o número é uma estimativa do modelo a partir de países vizinhos e da mesma região, e o intervalo amplo reflete essa falta de dados. Os territórios para os quais o estudo não publica estimativa aparecem como «sem dados encontrados». Alguns países pequenos não se distinguem no mapa e podem ser consultados na lista.
Prevalência
Quatro estudos de síntese publicados entre 2025 e 2026, três metanálises e um modelo global, estimam a prevalência mundial do abuso sexual infantil. Seus números diferem porque medem universos distintos: adultos que lembram sua infância ou crianças e adolescentes que respondem enquanto ainda o são; violência com contato ou também sem contato; toda a vida ou o último ano.
| Estudo | Base | Quem responde | Resultado |
|---|---|---|---|
| Fang e outros (2026), Nature Human Behaviour | 1.412 estudos, 147 países, cerca de 7 milhões de pessoas | Adultos, em retrospectiva, e crianças e adolescentes | Adultos de 18 anos ou mais: mulheres 20,1%, homens 16,8%; com contato, 12,4% e 10,0% |
| Cagney e outros (2025), The Lancet | Modelo para 204 países com 460 fontes | Adultos de 20 anos ou mais | Mulheres 18,9%, homens 14,8% (com contato) |
| Piolanti e outros (2025), JAMA Pediatrics | 165 estudos nacionais, 80 países, 958.182 crianças e adolescentes | Crianças e adolescentes | Com contato 8,7%; relação sexual forçada consumada 6,1% |
| Ruiz-Ramos e outros (2025), Trauma, Violence, & Abuse | 28 estudos, 2010–2025 | Crianças e adolescentes | Médias entre 3% e 10% segundo o tipo de abuso |
A metanálise de Fang e outros (2026), a mais ampla publicada, buscou estudos nos seis idiomas oficiais das Nações Unidas e estimou que só em 2024 sofreram alguma forma de violência sexual 72,6 milhões de meninas e 60,9 milhões de meninos, dos quais 43,3 e 34,8 milhões estupro ou agressão sexual. Constatou também que a diferença entre meninas e meninos, embora exista na maioria das regiões, é menor do que a relatada por metanálises anteriores. Os números obtidos de crianças e adolescentes são mais baixos porque cobrem um período mais curto, o último ano ou o vivido até a idade atual: Fang e outros estimam que 6,2% das meninas e 4,9% dos meninos sofreram alguma forma de violência sexual nos últimos 12 meses.
O estudo de Cagney e outros (2025) estima para o Chile 31,4% nas mulheres e 14,5% nos homens. O intervalo de incerteza para as mulheres chilenas é muito amplo, de 11,5% a 57,4%, o que reflete a incerteza do modelo; o mapa permite consultar cada país. A medição direta chilena, a Pesquisa Nacional de Abuso Sexual e Adversidades na Infância, constatou que uma em cada cinco pessoas de 18 a 65 anos o sofreu: 18,5% segundo o cálculo ponderado da Fundação sobre a base de dados (detalhes na nota técnica).
A distância entre o que as vítimas declaram e o que chega ao conhecimento de terceiros é medida há mais de uma década. A metanálise de Stoltenborgh e outros (2011), sobre 217 publicações e cerca de 10 milhões de pessoas, encontrou 127 casos por cada 1.000 pessoas nos estudos de autorrelato e 4 por cada 1.000 nos estudos baseados em informantes, como profissionais que relatam os casos que conhecem (Child Maltreatment, 2011).
Uma metanálise de 2026 mediu a prevalência do lado de quem comete o abuso: 4,5% dos adultos relatam ter cometido abuso sexual com contato contra uma criança, em estudos com amostras da comunidade nem sempre representativas (Whitten, Cale e Salter, 2026).
Outras medições recentes:
- Uma metanálise de 2022 sobre meninas estimou que cerca de uma em cada quatro sofreu violência sexual (Qu e outros, 2022).
- Para a exploração e o abuso sexual on-line, uma metanálise global estimou que 8,1% das crianças e adolescentes o sofreram no último ano (Fry e outros, 2025).
- No México, a Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição registrou uma prevalência de abuso sexual infantil que passou de 2,22% em 2018 para 5,66% em 2023, em 24.179 crianças e adolescentes de 10 a 17 anos, somando cinco rodadas da pesquisa (Rivera-Rivera e outros, 2025).
- Na Espanha, um estudo da Delegação do Governo contra a Violência de Gênero, realizado pela Associação de Mulheres Juristas Themis, analisou 455 decisões judiciais proferidas entre 2010 e 2019 e constatou que três em cada quatro agressores pertenciam ao entorno familiar ou próximo da vítima (Ministério da Igualdade, 2020).
Gráficos para compartilhar
Cinco gráficos com os números centrais das evidências, em formato para Instagram e WhatsApp. Clique em um para vê-lo em tamanho grande, ou baixe-o. Cada gráfico traz sua fonte.
Os gráficos estão em espanhol.
Baixar os 5 gráficos (.zip, 0,6 MB)





Tradução da Fundación Para la Confianza. Em caso de divergência, prevalece a versão em espanhol. Versão em espanhol.
